Os desafios invisíveis que ainda afastam mulheres da prática esportiva
8 de março — Dia Internacional da Mulher
“Cada gol marcado no futebol feminino carrega uma história que começou muito antes do apito inicial.”
Durante muito tempo disseram que o futebol não era lugar de mulher. Durante décadas, essa ideia não foi apenas um preconceito social: foi também uma imposição institucional. No Brasil, mulheres chegaram a ser proibidas de praticar futebol por lei, reforçando uma cultura que tentou afastá-las dos campos e das arquibancadas.
Mas a história, assim como a persistência das mulheres, mostrou o contrário.
Hoje, cada mulher que entra em campo carrega muito mais do que talento ou paixão pelo esporte. Carrega também uma trajetória de resistência. Antes mesmo do primeiro toque na bola, muitas atletas já enfrentaram desafios que fazem parte de uma realidade ainda pouco discutida: falta de calendário regular, insegurança nas contratações, estruturas esportivas que ainda ignoram as especificidades do corpo feminino e, muitas vezes, a presença de violências silenciosas dentro e fora do ambiente esportivo.
Essas violências nem sempre são visíveis nas estatísticas ou nas manchetes. Elas aparecem na forma de desestímulo, de falta de investimento, de ambientes inseguros, de desigualdades estruturais e de uma cultura que, por muito tempo, tentou convencer meninas de que aquele espaço não lhes pertencia.
Por isso, quando uma atleta entra em campo, ela não está apenas disputando uma partida. Muitas vezes, está vencendo barreiras sociais, culturais e institucionais que antecedem o jogo e que, silenciosamente, continuam afastando inúmeras meninas da prática esportiva.
Ainda assim, as mulheres seguem avançando. Seguem ocupando espaços, ampliando horizontes e transformando o futebol. Cada atleta que chega ao campo já venceu inúmeras disputas antes mesmo de o jogo começar.

Nesse contexto, o esporte também precisa evoluir. É necessário ampliar o debate sobre as condições estruturais do futebol feminino, fortalecer políticas de proteção às atletas, reconhecer as especificidades da mulher no esporte e garantir oportunidades que permitam que meninas e mulheres não apenas entrem em campo, mas permaneçam nele com dignidade, segurança e reconhecimento.
O futebol feminino não é apenas uma modalidade esportiva em crescimento. Ele é também um espaço de transformação social.
Por isso, o dia 8 de março não é apenas uma data simbólica. É um momento de reflexão sobre as trajetórias das mulheres que desafiaram barreiras e abriram caminhos para que outras pudessem sonhar.
Não rejeito flores ou gestos de carinho nesta data. Mas que venham como reconhecimento pelas conquistas, pela coragem e pelas transformações que as mulheres constroem todos os dias, e não como símbolo de fragilidade ou delicadeza imposta.
Porque ser mulher nunca foi sobre fragilidade.
É sobre coragem, resistência e capacidade de transformar realidades.
E no esporte, assim como em qualquer outra área da sociedade, a mulher pode, e deve, ser exatamente aquilo que quiser.
Que possamos continuar abrindo caminhos para as próximas gerações de mulheres no futebol e em todos os espaços onde ainda seja necessário reafirmar que ali também é lugar de mulher.






Uma resposta
Sabiás palavras.
Advogada de grande valor e especialista no que faz.
Tema abordado com muita sabedoria e seriedade.