O futebol feminino brasileiro vive um momento de crise. Após o Flamengo, clube com maior número de torcedores do país, anunciar que reduzirá drasticamente seu investimento na modalidade, dois clubes da Série A1 do Campeonato Brasileiro anunciaram o enceramento de suas atividades.
Os movimentos recentes ampliam o fator negativo pela agravante de faltar pouco mais de um ano para o Brasil sediar a Copa do Mundo Feminina de Futebol.
Esta semana, Fortaleza e Real Brasília informaram que não darão continuidade ao futebol feminino em 2026.
Ambas as equipes disputaram a divisão de elite do Brasileirão este ano.
O motivo: falta de recursos financeiros para dar sequência a modalidade.
Surpresa
A decisão do Fortaleza surpreendeu especialistas e torcedores. O clube cearense teve uma temporada vencedora no futebol feminino, com os títulos estadual e da Copa Maria Bonita, além da obtenção para o inédito acesso à Série A1 do Brasileirão.
A queda do Leão do Pici para a Série B no futebol masculino comprometeu o orçamento do clube e, segundo a direção do clube, inviabilizou a continuidade do time feminino.
Fim na elite
A desistência do Real Brasília, momentos antes de terminar 2025, foi ainda mais surpreendente.
Tradicional no futebol feminino, o clube foi campeão do Distrito Federal desde que decidiu ter uma equipe na modalidade, entre 2019 e 2024, além de ser presença constante no Brasileirão A1 desde 2021 – e estaria garantido na competição em 2026.
A despeito do bom desempenho dentro de campo, a perda do patrocinador master foi determinante para a agremiação abdicar da modalidade.
Mesmo drama
Os casos de Fortaleza e Real Brasília não são inéditos no futebol feminino.
Em 2024, o Instituto 3B da Amazônia se credenciou para disputar a elite do Brasileirão, após ser vice-campeão da Série A2.
No ano seguinte, por falta de verba, o clube desistiu de disputar a Copa do Brasil e por pouco deixou de participar do campeonato nacional, não fosse o fato de contar com o auxílio financeiro da CBF e de algumas agremiações.
Descaso
A situação do Flamengo é oposta. O clube anunciou um orçamento bilionário para 2026, mas decidiu não apostar no futebol feminino.
A direção atual do rubro-negro carioca preteriu a modalidade e decidiu cortar investimentos.
A dispensa de jogadoras e a promoção de atletas das categorias de base para o time principal foram movimentos que deixaram claro que o clube será participante da elite nacional no futebol feminino, mas sem maiores pretensões.
Desequilíbrio
Um dos motivos para a crise no futebol feminino no Brasil é a falta de investimento na modalidade em boa parte dos clubes, inclusive da elite.
O Relatório do Futebol Feminino Brasileiro, desenvolvido pela empresa Outfield, em parceria com o site Dibradoras, apontou que 62% dos 16 clubes da Série A1 e mais quatro da Série A2 (Ceará, Santos, Botafogo e Atlético-MG) apresentaram investimentos anuais abaixo de R$ 10 milhões.
Ferroviária e Palmeiras, dois dos três maiores orçamentos, estão no top 5 do ranking de clubes da CBF, evidenciando a correlação entre investimento e desempenho esportiva.
O Cruzeiro, outra equipe que investe entre R$ 15 e 20 milhões, passou da 43° posição no ranking da CBF de 2020 para a 9° posição em 2025, reflexo do crescente investimento na equipe nos últimos anos.





