A crise do futebol feminino brasileiro

Crise futebol feminino brasileiro
Após o Fortaleza anunciar o encerramento de suas atividades no futebol feminino, o Real Brasília, que estava na elite da modalidade desde 2021, também decidiu tirar o time de campo. (Foto: Divulgação / Real Brasília)

O futebol feminino brasileiro vive um momento de crise. Após o Flamengo, clube com maior número de torcedores do país, anunciar que reduzirá drasticamente seu investimento na modalidade, dois clubes da Série A1 do Campeonato Brasileiro anunciaram o enceramento de suas atividades. 

Os movimentos recentes ampliam o fator negativo pela agravante de faltar pouco mais de um ano para o Brasil sediar a Copa do Mundo Feminina de Futebol.

Esta semana, Fortaleza e Real Brasília informaram que não darão continuidade ao futebol feminino em 2026.

Ambas as equipes disputaram a divisão de elite do Brasileirão este ano. 

O motivo: falta de recursos financeiros para dar sequência a modalidade.

Surpresa

A decisão do Fortaleza surpreendeu especialistas e torcedores. O clube cearense teve uma temporada vencedora no futebol feminino, com os títulos estadual e da Copa Maria Bonita, além da obtenção para o inédito acesso à Série A1 do Brasileirão.

A queda do Leão do Pici para a Série B no futebol masculino comprometeu o orçamento do clube e, segundo a direção do clube, inviabilizou a continuidade do time feminino.

Fim na elite

A desistência do Real Brasília, momentos antes de terminar 2025, foi ainda mais surpreendente.

Tradicional no futebol feminino, o clube foi campeão do Distrito Federal desde que decidiu ter uma equipe na modalidade, entre 2019 e 2024, além de ser presença constante no Brasileirão A1 desde 2021 – e estaria garantido na competição em 2026.

A despeito do bom desempenho dentro de campo, a perda do patrocinador master foi determinante para a agremiação abdicar da modalidade.

Mesmo drama

Os casos de Fortaleza e Real Brasília não são inéditos no futebol feminino. 

Em 2024, o Instituto 3B da Amazônia se credenciou para disputar a elite do Brasileirão, após ser vice-campeão da Série A2. 

No ano seguinte, por falta de verba, o clube desistiu de disputar a Copa do Brasil e por pouco deixou de participar do campeonato nacional, não fosse o fato de contar com o auxílio financeiro da CBF e de algumas agremiações.

Descaso

A situação do Flamengo é oposta. O clube anunciou um orçamento bilionário para 2026, mas decidiu não apostar no futebol feminino.

A direção atual do rubro-negro carioca preteriu a modalidade e decidiu cortar investimentos. 

A dispensa de jogadoras e a promoção de atletas das categorias de base para o time principal foram movimentos que deixaram claro que o clube será participante da elite nacional no futebol feminino, mas sem maiores pretensões.

Desequilíbrio

Um dos motivos para a crise no futebol feminino no Brasil é a falta de investimento na modalidade em boa parte dos clubes, inclusive da elite.

O Relatório do Futebol Feminino Brasileiro, desenvolvido pela empresa Outfield, em parceria com o site Dibradoras, apontou que 62% dos 16 clubes da Série A1 e mais quatro da Série A2 (Ceará, Santos, Botafogo e Atlético-MG) apresentaram investimentos anuais abaixo de R$ 10 milhões.

Ferroviária e Palmeiras, dois dos três maiores orçamentos, estão no top 5 do ranking de clubes da CBF, evidenciando a correlação entre investimento e desempenho esportiva.

O Cruzeiro, outra equipe que investe entre R$ 15 e 20 milhões, passou da 43° posição no ranking da CBF de 2020 para a 9° posição em 2025, reflexo do crescente investimento na equipe nos últimos anos.

Foto de Thiago Bastos

Thiago Bastos

Jornalista há 26 anos, com experiência em jornalismo esportivo diário em veículos como A Tribuna de Santos, Lance! e Revista Placar. Atuação em assessorias de imprensa em órgãos públicos como prefeituras de Santos e Praia Grande e CET-Santos. Repórter em cobertura diária do Santos FC e de esportes olímpicos.

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